Fui e voltei

Já voltei da Itália, realizei o grande sonho de conhecer o país onde se fala a língua que mais amo: o italiano. Realizei o sonho de estudar em uma universidade italiana (o curso de aggiornamento foi maravilhoso). E realizei uma de minhas maiores ambições: conheci Venezia.
E por falar em Venezia, aí vão algumas matérias que achei pela net a respeito.
Esta está publicada no link abaixo:
http://oriundi.net/site/oriundi.php?menu=rotasitdet&id=19

Rotas Italianas



Não vá visitar Veneza. Vá morar em Veneza.






Foto:Ufficio Stampa del Comune di Venezia


Perca-se e descubra o coração de Veneza. “Quando eu cheguei a Veneza, descobri que meu sonho havia se tornado inacreditavelmente, mas simplesmente, meu endereço”. Quem proferiu essa frase iluminada foi o iluminado e polêmico francês Marcel Proust. Trata-se da única verdade insuperável sobre Veneza. O resto é alegoria, é folhetim de agência de turismo. Nada urbano nesse mundo supera Veneza.
A frase de Proust encerra um significado simbólico dificilmente substituível. Poucos seres humanos desejaram a felicidade com a veemência, a doçura e a embriaguez febril de Marcel Proust, como diz o ensaísta e crítico literário Pietro Citati, nascido em Florença, um dos mais admirados na Europa. Veneza é isso. É a felicidade em forma de cidade.
Por isso, o grande sonho que todos deveriam alimentar é o mesmo de Proust: fazer de Veneza o seu endereço permanente. Ser parte de Veneza, viver Veneza como um veneziano, apesar das hordas enlouquecidas e deseducadas de turistas de todos os recantos do planeta, que diariamente entopem esse pedaço de paraíso humano.

Quando eu cheguei a Veneza não senti arrepios, calafrios, emoções incontidas. O meu corpo foi tomado por uma tranqüilidade, por uma paz e uma alegria tão naturais que não demorou um segundo para eu perceber: aqui é o meu lugar.
Não falo isso com qualquer prepotência. Afinal, conheci muita gente, mas muita gente mesmo, que foi tomada pela mesma sensação. Veneza não é para passear. Veneza é um lugar para se viver. Não existe nada, nenhum roteiro, nenhuma definição, nenhuma especificação capaz de superar a sensação de pertencimento que Veneza proporciona.
É claro, nem todos têm o privilégio de sentir assim. Talvez a maioria passe por Veneza quase automaticamente, como é o hábito de se fazer turismo nesse planeta. Extasiam-se, maravilham-se, fazem o programado, tiram quinhentas mil fotos, filmam sem olhar onde estão, compram, compram, vão para seus hotéis, tomam seus ônibus e aviões e fim. Seguem para outra cidade, onde vão ficar mais 24, 48, 72 horas ou uma semana. Fica registrado: passaram por Veneza, “conheceram” Veneza. O quê fazer? Boa parte das pessoas se comporta dessa maneira porque "dizem" para elas que isso é o certo. Possivelmente muitos não concordem com o que está escrito aqui. Tudo bem!
Mas eu queria morar em Veneza. Ponto. Não posso? Ah, existem milhares de argumentos para justificar esse desejo não-realizado. Perda de tempo enumerá-los. Todos nós sabemos o quanto somos hábeis em enganar a nós próprios. Então, vamos deixar de divagar.
Nesse texto você não encontrará sugestão do tipo não deixe de ir à Praça São Marcos, não deixe de dar um passeio de gôndola, não esqueça de ir a uma joalheria, aproveite para ver tal exposição, coma em tal restaurante. Tudo bobagem. Você vai fazer tudo isso, como eu fiz, mas estar em Veneza é estar em casa. Sentir-se muito bem em casa. E isso é o máximo.
No máximo, para não dizer que não dei uma dica, faça o seguinte: se você concluir, por alguma desculpa esfarrapada, que não pode morar em Veneza, como eu, covarde, fiz, então aproveite bem o tempo de vida que te foi destinado a ficar em Veneza. Tem uma coisa que dificilmente você encontrará nos folders e na voz mecânica dos guias. Essa é imperdível mesmo. Trata-se do seguinte: perca-se em Veneza.
De manhã bem cedo, saia para fora de onde você dormiu, esqueça a turma. Mas comporte-se normalmente, como um ser normal. Vá caminhando, tomando ruelas que estão fora dos circuitos. Vá se aprofundando cada vez mais. Não pare. Caminhe em passos de morador, nem tão vagaroso, nem tão apressado. Olhe para tudo com aquele olhar de quem já conhece. Fotografe apenas com o olhar. Grave apenas com a memória. Perca-se, perca-se e entre no coração de Veneza, sinta a sua verdadeira pulsação, a sua vida. Bem, depois você poderá ao menos morrer em paz. Você foi de Veneza por alguns breves momentos de sua existência. A chave é essa: não basta ir a Veneza, é preciso ser de Veneza. Isso é o bastante? Não. Contudo, é o que resta. Fora disso, só há uma outra alternativa: ir morar em Veneza. (José Antônio Zulian)

[06/11/2005]

Comentários

Márcio Jardim disse…
Luciana, adorei o texto sobre Veneza... daqui uns meses, sou eu! Rsrs
Obrigado pela visita.
Márcio - http://www.toindoparaaitalia.blogspot.com/
Lu Nascimento disse…
Oi Márcio!
Sei que a tua viagem está chegando... aí que sonho!!! Aproveite muito, a Itália é ímpar. Agora meu sonho é voltar, e o teu blog tem me dado várias dicas incríveis! Parabéns mais uma vez pela grande qualidade do material publicado, tenho certeza que muitos têm sido ajudados pro ele!

Postagens mais visitadas deste blog

Sabonetes Natura

Criando uma conta no Google