Matéria conexão professor
Ai que coisa chique!
Já participei da primeira matéria da minha carreira (da vida também). Fui entrevistada para uma matéria sobre ensino de línguas estrangeiras nas escolas estaduais do Rio de Janeiro, que foi publicada no site do conexão professor. Olha o resultado aí embaixo:
o link dos especiais:
http://www.conexaoprofessor.rj.gov.br/temas-especiais.asp
O link da matéria:
http://www.conexaoprofessor.rj.gov.br/especial.asp?EditeCodigoDaPagina=4450
E a matéria!!!
Os desafios (e as recompensas) do ensino de língua estrangeira
31/05/10
Mal começam a pegar intimidade com os detalhes da gramática e da ortografia da língua portuguesa, os alunos já se deparam com um novo idioma, com vocabulário próprio, pronúncia diferente e peculiaridades linguísticas com as quais nunca tiveram contato. E o papel do professor de inglês, espanhol ou de outra língua que não seja a nativa é justamente levar este conhecimento aos estudantes, destacando a importância de se aprender um segundo ou terceiro idioma. Afinal, neste mundo cada vez mais conectado, é preciso se comunicar.
Segundo o estudioso francês Claude Germain, os primeiros indícios da existência do ensino de uma segunda língua datam do ano 3000 a.C., pelos acadianos, a fim de dominar o povo sumério. Os fins e os meios mudaram ao longo do tempo, mas o valor do conhecimento se mantém. Tanto que, em 1976, a resolução 58/76 do Ministério da Educação tornou obrigatório o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna em cada escola de Ensino Médio do Brasil. Desde então, os professores se desdobram para explorar ferramentas e criar métodos que ajudem os estudantes a assimilar melhor o conteúdo e, ao mesmo tempo, despertem a vontade de aprender.
Tarefa difícil esta, não? Principalmente quando se ensinam alunos que têm pouco acesso a elementos de outras culturas, não pretendem ou não podem viajar para fora do país e, às vezes, nem se interessam por idiomas estrangeiros. “Alguns mostram interesse até de continuar estudando fora da escola, em um curso, mas outros dizem ‘eu nunca vou sair do Brasil, para quê estudar essa língua?’. Tento convencê-los de que conhecer novas culturas é importantíssimo”, conta Luciana Nascimento, professora do Colégio Estadual Embaixador Raul Fernandes, de Niterói.
A professora de inglês Juliana Motta, que já passou pelo Colégio Estadual Gilson Amado e pelo Ciep 303 Ayrton Senna, destaca que saber uma língua além da nativa é essencial atualmente. “Incrementa o currículo profissional e gera oportunidades de carreira até para quem busca uma formação técnica, que pode usar, por exemplo, o inglês instrumental para um cargo específico”, esclarece, lembrando que a invasão dos estrangeirismos e os recursos tecnológicos facilitam cada vez mais o entendimento do inglês.
Juliana, inclusive, serve de exemplo para seus alunos, pois completou o Ensino Médio na rede pública, no Colégio Estadual Vicente Jannuzzi. Tendo como inspiração a mãe, que leciona biologia, e a tia, secretária bilíngue, a jovem de 23 anos disse que vê com bons olhos a experiência de levar a língua inglesa aos estudantes de escolas estaduais e acredita que os benefícios de dominar o idioma não são exclusivamente dos alunos. “Os professores não precisam se limitar às salas de aula. Podem palestrar e ministrar seminários”, aponta.
Parlando italiano
Luciana Nascimento sofre mais que o normal com a reação de estranheza da turma, pois leciona um idioma pouco explorado pelos colégios regulares: o italiano. “Inglês e espanhol já são consideradas línguas globais; todo mundo hoje acha que precisa saber. Mas o mesmo valor não é dado a outros idiomas”, diz a professora, que ganhou bolsa para estudar em uma universidade da Itália no meio do ano. “Com esse curso de atualização, pretendo trazer novidades e mais material audiovisual para os alunos”, afirma.
Segundo Luciana, chamar a atenção dos alunos é um desafio, mas a experiência é recompensadora – tanto para ela quanto para seus pupilos. “Aprender um novo idioma já é uma dificuldade por si só. Alia-se a isso a falta de material didático e o grande número de jovens por turma. Mas sempre busco aproximar o italiano da realidade deles, falo de moda, de futebol, novela...”. Para adaptar a metodologia de ensino às limitações, ela usa a criatividade. “Não vejo a pouca oferta de material como algo negativo, pois trabalho muito com mapas, revistas, imagens, dicionários e música”, descreve.
A professora também está otimista quanto à inauguração do novo laboratório de informática na escola. “Usar a internet é uma chance de direcionar o gosto que os adolescentes têm pela web para o idioma. A rede nos permite explorar vídeos, jogos e até desenvolver blogs, o que enriquece muito a aprendizagem. Assim vamos experimentando o que funciona ou não para a turma”, explica Luciana, que é formada pela UFRJ e em breve será doutora.
Alemão, aqui, é amigo
E se você pensa que o italiano é a língua mais diferente explorada pelos docentes da rede estadual, se engana. O Ciep Brizolão 146 Professor Cordelino Teixeira Paulo, em São Pedro da Aldeia, oferece em seu currículo aulas de alemão! Apesar de ser um idioma tão distinto do nosso, a professora Isabela Lopes, formada em Letras-Português/Alemão pela UERJ, garante que há uma boa aceitação. “Por ser uma novidade em língua estrangeira na escola, os alunos se sentem especiais em estudar um idioma diferente do inglês e do espanhol”, assegura.
Pensando na natural falta de intimidade com a cultura alemã, Isabela procura mostrar à turma afinidades entre o Brasil e a Alemanha, introduzindo na aula fatos históricos como a imigração que ocorreu no século passado para o sul do nosso país. “Trabalho também o turismo, a questão territorial, com mapas, e proponho pesquisas sobre a Alemanha nos campos científico e artístico”, complementa a professora.
Isabela, assim como Luciana e Juliana, já deu aulas em cursos e colégios particulares. Para ela, as diferenças entre as turmas não são tão grandes como se pode imaginar. “Tenho muitos alunos da rede estadual que se interessam e participam, tais quais os alunos da rede privada. O que ainda falta nas escolas públicas é um laboratório de idiomas, em que se possa explorar com vasto material as quatro habilidades: leitura, escrita, fala e audição”.
Métodos adequados são consequência
Na opinião de José Carlos Paes de Almeida Filho, doutor em Linguística e professor de Aquisição e Ensino de Línguas da Universidade de Brasília (UnB), o uso da língua-alvo deve ser feito de modo que permita a compreensão de “ideias contidas em palestras, aulas e textos escritos da mídia televisiva, eletrônica e impressa”. Por isso, inserir esses meios de comunicação durante as aulas é fundamental. “A capacidade de articular a nova língua por escrito é desejável em tarefas específicas como na comunicação eletrônica, na produção de resumos e relatos de experiências. O mundo do trabalho e a vida social são focos importantes que não devem ser perdidos de vista”, frisa.
Almeida Filho lembra que a forma de avaliação dos estudantes também é ponto vital na política de ensino de idiomas estrangeiros. “Deveríamos produzir um exame de confiança nas línguas ensinadas que incentive o esforço nas direções desejadas e não apenas um exame acadêmico de lápis e papel. Já temos ideias mais precisas e desenvolvidas para essas iniciativas no país”, define o professor.
Confira no “Conecte-se” sites para professores e alunos diversificarem e aperfeiçoarem o processo de aprendizagem.
Já participei da primeira matéria da minha carreira (da vida também). Fui entrevistada para uma matéria sobre ensino de línguas estrangeiras nas escolas estaduais do Rio de Janeiro, que foi publicada no site do conexão professor. Olha o resultado aí embaixo:
o link dos especiais:
http://www.conexaoprofessor.rj.gov.br/temas-especiais.asp
O link da matéria:
http://www.conexaoprofessor.rj.gov.br/especial.asp?EditeCodigoDaPagina=4450
E a matéria!!!
Os desafios (e as recompensas) do ensino de língua estrangeira
31/05/10
Mal começam a pegar intimidade com os detalhes da gramática e da ortografia da língua portuguesa, os alunos já se deparam com um novo idioma, com vocabulário próprio, pronúncia diferente e peculiaridades linguísticas com as quais nunca tiveram contato. E o papel do professor de inglês, espanhol ou de outra língua que não seja a nativa é justamente levar este conhecimento aos estudantes, destacando a importância de se aprender um segundo ou terceiro idioma. Afinal, neste mundo cada vez mais conectado, é preciso se comunicar.
Segundo o estudioso francês Claude Germain, os primeiros indícios da existência do ensino de uma segunda língua datam do ano 3000 a.C., pelos acadianos, a fim de dominar o povo sumério. Os fins e os meios mudaram ao longo do tempo, mas o valor do conhecimento se mantém. Tanto que, em 1976, a resolução 58/76 do Ministério da Educação tornou obrigatório o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna em cada escola de Ensino Médio do Brasil. Desde então, os professores se desdobram para explorar ferramentas e criar métodos que ajudem os estudantes a assimilar melhor o conteúdo e, ao mesmo tempo, despertem a vontade de aprender.
Tarefa difícil esta, não? Principalmente quando se ensinam alunos que têm pouco acesso a elementos de outras culturas, não pretendem ou não podem viajar para fora do país e, às vezes, nem se interessam por idiomas estrangeiros. “Alguns mostram interesse até de continuar estudando fora da escola, em um curso, mas outros dizem ‘eu nunca vou sair do Brasil, para quê estudar essa língua?’. Tento convencê-los de que conhecer novas culturas é importantíssimo”, conta Luciana Nascimento, professora do Colégio Estadual Embaixador Raul Fernandes, de Niterói.
A professora de inglês Juliana Motta, que já passou pelo Colégio Estadual Gilson Amado e pelo Ciep 303 Ayrton Senna, destaca que saber uma língua além da nativa é essencial atualmente. “Incrementa o currículo profissional e gera oportunidades de carreira até para quem busca uma formação técnica, que pode usar, por exemplo, o inglês instrumental para um cargo específico”, esclarece, lembrando que a invasão dos estrangeirismos e os recursos tecnológicos facilitam cada vez mais o entendimento do inglês.
Juliana, inclusive, serve de exemplo para seus alunos, pois completou o Ensino Médio na rede pública, no Colégio Estadual Vicente Jannuzzi. Tendo como inspiração a mãe, que leciona biologia, e a tia, secretária bilíngue, a jovem de 23 anos disse que vê com bons olhos a experiência de levar a língua inglesa aos estudantes de escolas estaduais e acredita que os benefícios de dominar o idioma não são exclusivamente dos alunos. “Os professores não precisam se limitar às salas de aula. Podem palestrar e ministrar seminários”, aponta.
Parlando italiano
Luciana Nascimento sofre mais que o normal com a reação de estranheza da turma, pois leciona um idioma pouco explorado pelos colégios regulares: o italiano. “Inglês e espanhol já são consideradas línguas globais; todo mundo hoje acha que precisa saber. Mas o mesmo valor não é dado a outros idiomas”, diz a professora, que ganhou bolsa para estudar em uma universidade da Itália no meio do ano. “Com esse curso de atualização, pretendo trazer novidades e mais material audiovisual para os alunos”, afirma.
Segundo Luciana, chamar a atenção dos alunos é um desafio, mas a experiência é recompensadora – tanto para ela quanto para seus pupilos. “Aprender um novo idioma já é uma dificuldade por si só. Alia-se a isso a falta de material didático e o grande número de jovens por turma. Mas sempre busco aproximar o italiano da realidade deles, falo de moda, de futebol, novela...”. Para adaptar a metodologia de ensino às limitações, ela usa a criatividade. “Não vejo a pouca oferta de material como algo negativo, pois trabalho muito com mapas, revistas, imagens, dicionários e música”, descreve.
A professora também está otimista quanto à inauguração do novo laboratório de informática na escola. “Usar a internet é uma chance de direcionar o gosto que os adolescentes têm pela web para o idioma. A rede nos permite explorar vídeos, jogos e até desenvolver blogs, o que enriquece muito a aprendizagem. Assim vamos experimentando o que funciona ou não para a turma”, explica Luciana, que é formada pela UFRJ e em breve será doutora.
Alemão, aqui, é amigo
E se você pensa que o italiano é a língua mais diferente explorada pelos docentes da rede estadual, se engana. O Ciep Brizolão 146 Professor Cordelino Teixeira Paulo, em São Pedro da Aldeia, oferece em seu currículo aulas de alemão! Apesar de ser um idioma tão distinto do nosso, a professora Isabela Lopes, formada em Letras-Português/Alemão pela UERJ, garante que há uma boa aceitação. “Por ser uma novidade em língua estrangeira na escola, os alunos se sentem especiais em estudar um idioma diferente do inglês e do espanhol”, assegura.
Pensando na natural falta de intimidade com a cultura alemã, Isabela procura mostrar à turma afinidades entre o Brasil e a Alemanha, introduzindo na aula fatos históricos como a imigração que ocorreu no século passado para o sul do nosso país. “Trabalho também o turismo, a questão territorial, com mapas, e proponho pesquisas sobre a Alemanha nos campos científico e artístico”, complementa a professora.
Isabela, assim como Luciana e Juliana, já deu aulas em cursos e colégios particulares. Para ela, as diferenças entre as turmas não são tão grandes como se pode imaginar. “Tenho muitos alunos da rede estadual que se interessam e participam, tais quais os alunos da rede privada. O que ainda falta nas escolas públicas é um laboratório de idiomas, em que se possa explorar com vasto material as quatro habilidades: leitura, escrita, fala e audição”.
Métodos adequados são consequência
Na opinião de José Carlos Paes de Almeida Filho, doutor em Linguística e professor de Aquisição e Ensino de Línguas da Universidade de Brasília (UnB), o uso da língua-alvo deve ser feito de modo que permita a compreensão de “ideias contidas em palestras, aulas e textos escritos da mídia televisiva, eletrônica e impressa”. Por isso, inserir esses meios de comunicação durante as aulas é fundamental. “A capacidade de articular a nova língua por escrito é desejável em tarefas específicas como na comunicação eletrônica, na produção de resumos e relatos de experiências. O mundo do trabalho e a vida social são focos importantes que não devem ser perdidos de vista”, frisa.
Almeida Filho lembra que a forma de avaliação dos estudantes também é ponto vital na política de ensino de idiomas estrangeiros. “Deveríamos produzir um exame de confiança nas línguas ensinadas que incentive o esforço nas direções desejadas e não apenas um exame acadêmico de lápis e papel. Já temos ideias mais precisas e desenvolvidas para essas iniciativas no país”, define o professor.
Confira no “Conecte-se” sites para professores e alunos diversificarem e aperfeiçoarem o processo de aprendizagem.
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